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A colecção Corpo Cronológico foi formada sob a iniciativa do guarda-mor da Torre do Tombo, Manuel da Maia, durante o período de 1756 a 1764,
organizando segundo critérios cronológicos a documentação que a compunha e justificando assim a sua designação.
Segundo o referido guarda-mor, a colecção foi constituída com os documentos originais enviados pela "Secretaria de Estado e outros Tribunais
Régios para o Real Archivo".
Os documentos receberam um "número de ordem sucessivo", relativo a toda a colecção, além do número do documento dentro do respectivo maço, e o
número da parte em que o maço se encontrava. Estes três elementos - Parte, Maço e Documento - constituem, ainda actualmente, a forma de recuperação
dos documentos do Corpo Cronológico.
Ao mesmo tempo que se desenvolviam os trabalhos de organização documental, elaboravam-se índices por nomes "próprios" (em 4 volumes) e "comuns"
(1 volume) dos documentos.
Quando começou a ser conhecido o conteúdo desta colecção, verificou-se de imediato que se tratava de um acervo excepcional, afirmando, no fim do
século XVIII, Miranda Rebelo, amanuense da Torre do Tombo, que envolvia "muitos e diversos ofícios, e muitas mercês, em que se encontra um grande
número de notícias importantes a este Reino". Por seu turno, um inventário geral do arquivo, de 1776, registava que nos papéis avulsos do Corpo
Cronológico constavam "Doações Régias, Privilégios, Alvarás para pagamento de Moradias e Tenças, Regimentos e Consultas de Tribunais, Cartas de
Imperadores, Reis, Rainhas, e de outros Grandes da Europa para os Nossos Soberanos: Cartas dos Governadores, respectivas aos seus Governos, &
sucessos das Nossas Armas na Ásia, África e América: de Embaixadores e Enviados desta Corte" bem como "Notícias particulares dos movimentos das
Cortes, de suas residências e de outras muitas evoluções e sucessos em toda a Europa".
Com efeito, a documentação do Corpo Cronológico contém fontes importantíssimas para o conhecimento da História da Europa, da África, da Ásia e da
América do Sul, nomeadamente, do Brasil. A colecção integra escambos de comendas das Ordens Militares, tratados de paz entre Portugal e outros
países, doações régias, documentos sobre a administração do Reino e do Ultramar (cartas para pagamento de mantimentos, alvarás de mercê, de
vestiaria, de tença, de ordenado...), correspondência sobre acontecimentos e política ultramarina (ocorrências em todas as possessões atlânticas
e índicas, cartas de vice-reis e governadores…), correspondência diplomática europeia (sobre assuntos da Espanha, França, Inglaterra, Alemanha,
Itália, Europa Central, Europa Oriental e do Império Turco) e ultramarina e alguns diplomas pontifícios.
Devido à sua riqueza documental, a colecção Corpo Cronológico é hoje uma das mais consultadas pelos especialistas de História Moderna. Divide-se
em três partes, num total de 525 maços e 83.212 documentos, cobrindo o período que vai de 1137 a 1699. A divisão em três partes pressupunha
uma organização temático-cronológica, segundo os "tempos e reinados em que foram escritos", que apenas se verifica em relação à cronologia, já
que em todas elas os assuntos são coincidentes .
No âmbito do Projecto "TT Online" foi digitalizada a totalidade dos 120 maços da I Parte e 166 maços da II Parte, a partir dos microfilmes já
existentes, permitindo que fossem assim disponibilizados on-line c. 45.300 documentos, correspondentes a 301.919 imagens, em regime de plena acessibilidade.
Pode, pois, afirmar-se que a disponibilização na Internet dos documentos desta Colecção é, prioritariamente, um projecto de divulgação pública
de um património cultural único, de grande interesse para a investigação historiográfica pela transversalidade dos temas que ilustram a Sociedade
e a Cultura portuguesas.
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